Ser Pai é… A verdade em 10 pontos sem cá floreados cor-de-rosa

Já lá vão mais de seis meses desde que me tornei pai pela primeira vez. Quando ouço a maioria  dos pais a falarem sobre a maternidade e paternidade,  o discurso é todo bonitinho. Dizem que tudo é um mar de rosas, e que é um avanço na vida de uma casal, e mais blá, blá, blá, whiskas saquetas. O meu testemunho não tem nada disso. Escolhi 10 pontos para definir, sem floreados cor-de-rosa, aquilo que é ser pai nos primeiros seis meses de uma bebé. 

1.  É dar de comer à mãe da filha enquanto esta dá de mamar. A primeira coisa que os pais vão perceber é que tal como um recém-nascido, as mães também têm fome. E também soltam a Diva que há nelas sempre que os seus desejos alimentares não forem satisfeitos. Não foram raras as vezes que dei de comer à minha mulhe ao mesmo tempo que ela estava a dar de mamar.

2. É passar a ser chamado de 5 em 5 minutos para fazer alguma coisa à mãe.  Vá, sejamos sinceros: as mulheres quando estão sem mais nada para pensar têm dificuldade em pedir tudo aquilo que precisam de uma vez só. Quando se tornam mães, a coisa piora drasticamente. O volume de pedidos aumenta, mas a dificuldade em pedir tudo numa só vez mantém-se. Conclusão: várias vezes acontece que sou chamado pela M. para fazer determinada coisa, depois volto para o meu lugar, sento-me, e no preciso momento em que estou a ficar confortável lá sou eu chamado para socorrer em mais um drama (sim, quando há um bebé em casa tudo é um draaaaammmmaaa). 

3. É levantar as cuecas e as calças à nova mãe.  Sim, é verdade. É isto mesmo.  Dito assim de repente pode parecer uma visão do inferno, mas com o tempo uma pessoa habitua-se. Não foram raras as vezes que ao chegar que encontrei a M. na casa de banho com a Bebecas ao colo. E também não foram raras as vezes que depois da M. ter feito tudo o que tinha a fazer, a Bebecas chorava a reclamar com fome. E pronto, acontecia que  enquanto a M. despia a parte de cima para dar de mamar, eu levantava as cuecas e as calças para a M. ficar mais apresentável, vá… 

4. É perder o nome que a nossa santa mãe nos deu para passar a ser tratado por pai, filho… e outros nomes. Podes ler aqui mais pormenores sobre o que estou a dizer.

5. É tornar-nos no reboque da mãe.  Este é o ponto do “é f… lixado, mas tem de ser”. Tudo pela maior comodida da filha. Num dia longo, como costumam a ser os sábados e os domingos quando se sai de casa e há passagem obrigatória pelo centro comercial para poder transportar a cria o mais confortável possível. Assim, enquanto a Bebecas anda no colo da mãe, eu transporto o carrinho da bebé, a mala da bebé, e todas as compras que forem feitas. Há momentos em que me sinto um atrelado em que só falta o indicador de “veículo longo”. 

6. É acordar ao meio da noite todos os dias com uma cotovelada… e a primeira reação ser “o que foi? onde? onde estou? o que estou aqui a fazer?“. A privação do sono é uma coisa tramada. E se no início a coisa de vai aguentando, com o passar do tempo deixamos de ter noção do tempo e do espaço. E tudo isto dá um grande break ao nosso cérebro. 

7. É voltar a viver numa ditadura. Aqui em casa, quem faz os horários, e quem diz quanto tempo podemos estar em cada sítios que vamos é a Bebecas. Podem comprovar isto mesmo na parte I e na parte II da saga Voltei a viver numa Ditadura.

8. É chegar a um cansaço extremo. Que só me apercebi quando começam a acontecer coisas muito estranhas. Como por exemplo entrar na casa de banho para se preparar ir dormir e colocar as cuecas na sanita para serem lavadas, em vez de no respetivo cesto de roupa suja. 

9. (Ainda antes de chegar ao cansaço extremo) É perder capacidade auditiva. Há bebés… e bebés. Há aqueles que são uns santinhos que não dão trabalhinho nenhum (sim, é verdade, eu já conheci esses seres. A M. tem amigas que tiveram a sorte de a cegonha ter sido simpática com elas), e depois há aqueles que são mais parecidos com a Bebecas cá de casa. À medida que os meses foram passando, fui sendo testado diariamente ao nível de decibéis que cada ouvido aguentava, e chegar ao final do dia mais surdo. E sempre a atuar como Nosso Senhor Jesus Cristo Nos Ordenou. Dar sempre, mas sempre, o outro ouvido quando o bebé nos “bater” fortemente num deles.

10. E por fim, ser pai é… estar condenado a perder a vida sexual. Chegamos ao último ponto, mas não quer dizer que seja o menos importante. Isto é quase uma inevitabilidade. Quer dizer, conheço gente que quando sai da maternidade começa logo a dar cambalhotas, mas não fui votado a essa sorte. A minha sorte (ahahaha, sorte… pfff) tem sido esta.

E pronto, é isto. espero que todos, principalmente aqueles que vão começar a viagem dos pais, tenham a noção desta lista para não serem apanhados de surpresa.



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