O que passei para chegar até aqui (à fase final da gravidez)…

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Sinto que vou ser pai muito antes da próxima da quarta-feira, dia para o qual o médico obstetra marcou a cesariana. Ainda não tinha dito, mas o parto estava previsto para a semana passada. Já passámos os nove meses de gestação, altura para fazer o rewind e de recordar um pouco daquilo que passei até agora. Bem, na verdade, não passei muito. Tive uma mulher santa. Posso dizer. Bem sei que nem todos os homens têm esta sorte. Passei os primeiros meses a ouvir todos meus amigos que já passaram pela experiência da paternidade  a garantirem-me que iria passar um mau bocado, que iria sair a meio a noite para satisfazer os caprichos da minha mulher. Mas na verdade, não aconteceu  nada disto. Nadica de nada. A super-heróina aqui de casa tem tido uma gravidez santa. Não sei mesmo o que foram desejos feminos estranhos que tanto me falaram e que decorrem normalmente os nove meses da gestação.

O que mais me custou mesmo foram os primeiros três meses. Antes desta gravidez, eu já tinha estado grávido. Quando a M. disse pela primeira vez que estava grávida, demos saltos de alegria. Queríamos muito ser pais. Mas este contentamento foi sol de pouca dura. Passados três meses, a M. queixava-se de fortes dor de barriga. A visita ao hospital ditou uma informação que se transformou num murro no estômago. O feto estava sem vida desde às seis semanas. Todo o processo foi doloroso. Principalmente para a mãe, é óbvio. Mas eu também tive as minhas sequelas. Eu pensava que tinha digerido esta (má) experiência, mas percebi que os fantasmas  voltaram no momento em que soube que ia ser pai. Mesmo depois de saber e de me infromarem que era normal a primeira gravidez resultar em aborto, as sequelas ficam. E não vale a pena dizer o contrário.

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Por isso, durante os primeiros três meses quase que não quis acreditar que iria ser pai. Não passar por tudo novamente. Fazer crescer novamente uma sensação de pretença que depois ia por água abaixo. Tinha aquela sensação twilight, que aquilo não estava acontecer. Só quando o médico obstetra disse mais ou menos no quarto mês que havia pouca probabilidade de correr alguma coisa até ao final da gravidez é que respirámos de alívio.

As fases que se seguiram fez acreditar que sou igual a todos os homens e mulheres que eu fazia troça. Fiquei com um sorriso estúpido no rosto quando soube que era uma menina, vibrei com primeiro pontapé na barriga.  Foi mágico. Era a certeza que estava ali um sar vivo que queria interagir connosco. Ah, e até fiz um curso e tudo, mas sobre isto escreverei mais tarde.

A vivência de nós homens comparadas é intensa. É a nossa maneira, mas intensa. E estamos sempre em sintonia das mulheres, que têm a enorme vantagem de sentir a bebé a toda hora, todo minuto e a todo o segundo. O único momento que pode haver frison é na altura as compras para o bebé.

Aqui em casa, por vontade da M. tínhamos tudo pronto a partir do quinto mês da gravidez. E acreditem, há um momento em que vão dar em loucos. É muita coisa para tratar. Há 30 mil carrinhos de bebé para ver para escolhermos um, não sei quantos ovos, e alcofas, mais a decoração do quarto da bebé que é alvo de pelo menos três ou quatro restruturações.

A única insistência que fiz foi a de que o quarto tivesse cor-de-rosa. Se vem aí uma menina, merece ter apontamentos cor-de-rosa, pensei eu. Arrependi-me rápido. Tive azar, porque esta não era propriamente a opinião da mãe. A discussão que isto gerou passou a ocupar grande parte dos dias. E demorou muito mais tempo a chegarmos a um consenso. Mas chegámos.

Há um facto que todos os homem devem saber para as mulheres estarem prevenidos: as mulheres entram de baixa de parto e não peeeeeeennnnnnsaam em maaaaais naaaaaada. Começam a fazer projectos de longa duração sobre tudo. Quando nós homens começamos a pensar, facilmente vamos chegar à dura verdade que elas já pensaram em tudo, e tudo muito à frente. E não dão espaço de manobra.


ohomemdecaxemira

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