Fechados na rua, a enfermeira taradona, e o médico ausente. Isto tinha (mesmo) tudo para correr bem… mal!

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Agora que vocês sabem que correu bem durante o parto, e que eu já estou em casa feliz e contente na vida, é altura de partilhar com vocês os bastidores do dia anterior ao parto. A bebé mostrava sinas de querer sair cá para fora, mas os factos mostravam que se calhar as coisas não iam correr tão bem. Tudo o que poderia acontecer de mal, aconteceu.

Depois de regressarmos a casa daquele que (tinha eu quase a certeza) era o último jantar antes de ir para a maternidade,  basicamente, fizemos tempo. Esperarámos que as contrações fossem aumentando de intensidade, e diminuísse a frequência entre contrações. Começámos por arrumar a casa, e decidimos, por volta da 01.00H da madrugada de sexta-feira, ir ao lixo. Foi aqui que começou a aventura. Levámos as chaves de casa, o balde de lixo, e rigorosamente mais nada. Acontece que eu tinha usado uma das chaves suplentes para tranca a porta por dentro quando entrámos em casa depois do jantar e… nunca mais as tirei. Conclusão: quando regressámos dos contentores do lixo, pus a chave na porta e, adivinharam, não consegui rodar a chave. Estávamos oficialmente “fechados” na rua, na véspera do parto. E a M. já estava com contrações de dez em dez minutos.

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Não tínhamos carteira, telemóveis, e já era tarde para tocar à porta dos vizinhos.  A mim subiram-me os calores, a adrenalina, a atenção. Fooooodaaa-se!!!! Isto não podia estar a acontecer. É que não podia ter acontecido em mais dia nenhum. Teve ser mesmo no dia antes da criança nascer. Eu estava mesmo desesperado, sem saber o que fazer, e grávida, ao meu lado, com contrações de dez em dez minutos, sentou-se no chão e a única coisa que sabia era rir.  Durante dez intensos minutos nenhum de nós teve ideias. Na minha cabeça, a probabilidade do bebé nascer no vão das escadas tinha subido em flecha. Estava nos 70%.

“Na minha cabeça, a probabilidade do bebé nascer no vão das escadas tinha subido em flecha”

A única possibilidade era ir à Polícia Municipal. E lá fomos nós… Que remédio! A travessia foi dura. O passo já não era acelerado, e tínhamos de parar de dez em dez minutos para a M. ter a sua contração. Entre gemidos, e caras feias, mais parecia que estava a bater-lhe no meio da rua, mas adiante… Passados trinta minutos lá estávamos nós na Polícia Municipal. Entre telefonemas da Polícia Municipal para os Bombeiros, e dos Bombeiros para a PSP (porque agora os bombeiros só fazem estes serviços na presença da PSP) passou meia-hora. Depois mais esperar que os senhores vieram passou mais uma hora. Já o assunto ficou resolvido em dois minutos. Conta final: 65€. Foi o que custou para que um senhor dos bombeiros passasse um cartão na fechadura e abrisse a porta de casa… longe do nosso olhar. Mas, digamos, podia ter sido bem pior. É que não tínhamos nenhuma janela aberta para os bombeiros entrarem caso fosse necessário.

A enfermeira taradona

“Das duas, uma: ou a enfermeira não percebe nada de gravidez (..) ou então (…)  deve gostar de fazer “o amor” à bruta em com grandes dores no seu sistema reprodutivo”

Entretanto, as contrações da M. aumentavam de intensidade e de frequência. Foi só entrar em casa, pegar nas malas, e ir para o hospital do carro. Chegados aos Lusíadas, os valores apresentados pelo CTG (basicamente é um exame ao bem-estar do bebé) revelava isso mesmo. E a médica que nos atendeu deu logo ordem de admissão.

Como a madrugada já estava a correr bem, ainda tivemos um cocktail de boas-vindas por parte da enfermeira que nos calhou em sorte. “Ninguém merece isto. Ter de dar entrada às 05.30H, ninguém merece. Vocês deviam estar em casa a fazer o amor”, resmungava a dita enfermeira.

Porra, tenhamos bom senso. Fazer amor no final de gravidez já é uma aventura, no dia em que as contrações aparecem à séria deve ser uma impossibilidade. Mas isto sou eu a dizer. Alguém me diga se eu estiver completamente enganado. Das duas, uma: ou a enfermeira não percebe nada de gravidez e da profissão que exercer, e anda enganada há muito tempo; ou então, presumo que seja esta a opção mais acertada, deve gostar de fazer “o amor” à bruta em com grandes dores no seu sistema reprodutivo. Tenho para mim que o namorado desta senhora deve conseguir meter as duas mãos na dita cuja e anda bater palmas.

O médico que teve um casamento

Mas bem, com mais ou menos rabugem lá demos entrada no quarto do hospital e fomos tentar dormir. Sim, tentar. Porque cada vez que eu estava mesmo a conseguir adormecer, ouvia os gemidos de dor da M. . E eu como bom marido que sou lá ia eu fazer as massagens lombares que tinha aprendido no curso.

Mas as surpresas não tinham terminado. Logo de manhã fomos informados que o médico obstetra que nos tinha acompanhado durante toda a gravidez não poderia estar presente naquele dia. Logo naquele dia, o médico tinha casamento.

Enfim, era só mais um contratempo. Neste momento já estávamos por tudo. Tudo o que tinha para correr mal, estava a correr. E, inevitavelmente, nestas alturas pensa-se o pior. Mas quis o destino que nos tivesse calhado o Dr. Pina, o melhor médico do Hospital e o mestre de todos os outros. Nada acontece por acaso. E esta minha menina nasceu certamente com a estrelinha da sorte. É nisso que quero acreditar.


ohomemdecaxemira

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