Eu, pai, tornei-me um expert em medicação para recém-nascido

3
1577

Até chegar à vida adulta sabia, de cor, o nome de três medicamentos. A saber: aspirina, paracetamol e ben-uron. E estes sempre resolveram 80% dos meus males (pelo menos desde que me conheço realmente). Já desde que tornei pai, a minha lista de conhecimentos tornou-se muito mais vasta. Acho que a vida se encarregou mesmo de me poupar a decorar medicação durante este tempo, para agora ter espaço no “disco” (leia-se cérebro) suficiente para me tornar um expert em medicação infantil.

Pub

Eu bem que tentei comprometer-me, nos primeiros dias enquanto pai, que não iria ceder à tentação, mas não deu. A prática do dia-a-dia  é bem diferente da teoria, que tudo nos parece lindamente e que nos fazem acreditar que o mundo é cor-de-rosa e que tudo vai correr às mil maravilhas. De facto há recém-nascidos que não dão trabalhinho nenhum. Há outros, como a princesa cá de casa, que nos põem constantemente à prova.

“Assim, num espaço de um mês, tomei conhecimento de uma data de medicação que, no fundo, versa tudo o mesmo: cólicas”

Assim, num espaço de um mês, tomei conhecimento de uma data de medicação que, no fundo, versa tudo o mesmo: cólicas. Tudo começou no Infacalm, seguiu-se o Infacol (que dizem que tem o mesmo composto do que o anterior, mas que é muito mais eficaz – de facto confirma-se! -, e pode ser comprado em Londres), ainda me falaram do Colimil, e do Aero-om (que também é para cólicas, mas tem muito acúcar, e por isso não é aconselhado).

Sim, eu sei, já estão cansados de ler, e se calhar já nem se lembram do segundo medicamento. Mas há ainda o Biogaia e o Bivos que basicamente servem para a mesma coisa (ajudar no bom funcionamento dos intestinos), mas o primeiro tem um prazo de validade maior (dois meses) do que o segundo (até 15 dias depois de aberto).

Como as coisas ainda não estavam a correr pelo melhor, apresentaram-me recentemente o Coliprev, que é para ser ministrado a meio de cada mamada. Este medicamente depois de escrever 100 vezes no quadro. A lista já começa a ser grande e eu já não vou para novo. Há lugar a esquecimentos.  As coisas só não ficaram piores porque tive a sorte de ter ajuda da farmacêutica.

Eu: “Olá. Olhe eu vim cá comprar um medicamento para um recém-nascido, mas sinceramente não me lembro do medicamento

Farmacêutica: …. (com um olhar entre a pena e a vergonha alheia)

Eu: “Olhe, sei que é Coli…

Farmacêutica: “Coliprev?…

Eu: “Isso… Isso, mesmo!

Tive sorte. Já me estava a passar pela cabeça que iria passar meia hora a olhar para um ecrã à procura de um medicamente cujo nome me dissesse qualquer coisa naquele momento.

“O meu máximo de conhecimento de anatomia não ia para além de uma entorse (…)iz uma visita um osteopata e o meu vocabulário ganhou novas expressões”

Agora um outro capítulo. O meu máximo de conhecimento de anatomia não ia para além de uma entorse, ou, no máximo, uma rotura de ligamentos. Agora, com a “princesa” cá em casa, fiz uma visita um osteopata e o meu vocabulário ganhou novas expressões. O diagnóstico da herdeira foi imediato : “Os ossos do crânio estão a encaixar mal… o parietal esquerdo está a sobrepor o direito, o que poderá fazer com que o occipital comprima o nervo vago. O nervo vago está diretamente relacionado com o intestino”.

Whattttt??? Perceberam? Pois, eu também não. Vou ali ter umas aulas de anatomia. E isto ainda vai no início. Imagino o que aí vem quando a “princesa” se tornar uma criança. Ainda é possível que tire o curso de Medicina.


ohomemdecaxemira

3 COMMENTS

  1. Eheh
    Para complementar o capitulo fas cólicas só falta a sua correspondência com a poção imprescindível que é o vigantol! Eta coisinha chata para aborrecer os miúdos com as malvadas colicas!!!

LEAVE A REPLY