6 conclusões da primeira grande viagem com a Bebecas

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A primeira grande viagem com a Bebecas foi… uma grande aventura, vá para ser simpático. Fica-me mal dizer que foi uma grande dor de cabeça. Também era a mais especial. Foi a primeira vez que a herdeira se deslocava às terras dos avós, o que tornou tudo mais complicado. Sair da nossa zona de conforto já é difícil, somando ao facto de haver uma curiosidade enorme em torno da recém-nascido, veio a dificultar ainda mais. No total foram mais de 800 km’s (ida e volta).

“EU E A M. CHEGÁMOS A CASA DERRIADINHOS. A PRIMEIRA COISA QUE FIZ FOI SALTAR PARA CIMA DA MINHA QUERIDA CAMA”

Aos pais ou futuros papás que vivem longe dos pais, fiquem desde já a saber que a primeira viagem desta natureza não é fácil. É esta a minha experiência. É uma logística muito grande desde o primeiro minuto da viagem. Aconselho a que não tomem qualquer decisão com base nas vossas vivências antes de terem filhos. Tudo é muito mais de-moooo-raaaaa-ddddooo. E nós, pais, precisamos de estar muuuuuiiittto mais atentos. Eu e a M. chegámos a casa derriadinhos na segunda-feira, dia 24. A primeira coisa que fiz foi saltar para cima da minha querida cama. Não me lembro de ter tido tantas saudades dela. Voltar a dormir com espaço pareceu-me um milagre – a minha vida, ao nível de dormida não foi fácil durante a última semana, como podem ler aqui. E quando chegámos a casa o primeiro programa que combinámos para o dia a seguir foi: eu ficava na cama a dormir o dia de todo, a M. passava o dia todo a ver séries, e a Bebecas ficava no seu sítio a entreter-se sozinha. Claro que não foi nada disto que aconteceu, mas pronto!

Seis conclusões e aprendizagens que tirei desta primeira grande viagem:
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1 – Nunca se consegue sair à hora marcada de casa. Estava habituado a arranjar-me apenas 20 minutos para sair de casa rumo ao Norte. Nesta viagem foram precisos muitos 20 minutos só para conseguir sair de casa. Quando estávamos mesmo prestes sair, a Bebecas lembrou-se de abrir berreiro porque tinha fome. A vontade dela lá foi atendida, e quando voltámos a pensar em sair lá ela decidiu expulsar o que tinha nos intestinos. Lá voltamos nós para o quarto para mudar de fralda. Esta cena foi repetida várias vezes nos vários dias desta grande viagem. Resumindo: entre o pensar e o sair de casa há quase sempre um espaço de pelo menos uma hora ( e já estou a ser amigo).

2 – As viagens demoram muuuiiiittttooo mais tempo. Também estava habituado a fazer a viagem em duas horas e meia. Com a Bebecas a viagem demorou quatro horas e meia. Benzi-me duas vezes antes de me colocar na estrada. A responsabilidade é muita. Portanto, entre o momento em que pensámos iniciar viagem e o momento em que chegámos ao destino demorou cinco horas e meia. Motivos para a maior duração da viagem de automóvel. Primeiro: instintivamente o pé não carrega tanto no acelerador durante a maior parte da viagem (na maioria do trajecto não passei dos 130 km. Quando me sentia mais à vontade, lá dava um cheirinho mais no pedal). Segundo: um recém-nascido não pode passar mais de uma hora e meia seguida no ovo de transporte. Terceiro:  temos de parar obrigatoriamente de parar quando a bebé se queixa com fome, que não coincide obrigatoriamente com a mesma paragem de descanso do ovo.

3 – Há uma maior carga de objetos a ser transportados. Antes eu e a M. resolvíamos com uma mala para dois e em pouco tempo. Agora, temos de levar a nossa mala, a mala de viagem Bebecas, uma segunda mala de viagem onde possam caber dezenas de roupa (à escala de duas mudas por dia para sete dias. Como diz o outro, é só fazerem as contas…), mais o carrinho de bebé e a alcofa, e ainda, claro… confirmar que está realmente tudo no saco (não vá faltar alguma coisa, e a menina não ter o conjuntinho perfeito). Isto complica quando se tem de passar pela casa dos avós maternos e paternos, e pelos sítios que fomos parando nas visitas que fizemos a Vouzela e São Pedro do Sul.
O cenário foi mais ou menos este: enche o carro, tira as coisas do carro (normalmente em duas levadas. Por quem? Por mim, claro. A mãe está a tomar conta da cria), transporte para a casa dos avós paternos, desarruma-se tudo, dois dias a seguir volta-se a arrumar as duas malas, confirma-se de que está tudo em ordem, põe no carro (mas duas voltinhas. Para quem? Para mim, claro. A mãe continua a tomar conta da cria), segue viagem. Chegamos ao destino. tira do carro (as duas voltas do costume), transporta para a casa dos avós maternos, desarruma-se tudo, (novamente) dois dias a seguir arruma-se as malas, confirma-se que está tudo em ordem, tira-se as malas da casa dos avós maternos, põe no carro (acrescentem duas viagens), segue viagem…  Já estão tão cansados? Eu também… E agora SÓ estou a escrever.

4 – As coisas passam a não estar controladas. No nosso território habitual conseguimos calcular mais ou menos os tempos do bebé, e fazer as coisas a que conseguimos sair de casa sem grandes sobressaltos. E se os houver (leia-se a Bebecas precisar por um acaso de mudar de fraldas, ou ser amamentada) sabemos onde nos dirigir porque conhecemos o território. Fora de portas, perdemos a rede e ficámos desnorteados. Foi isso que eu contei neste post. Não dá por isso combinar nada com ninguém a uma hora certa. Quando combinarem alguma coisa com amigos é melhor dizerem: “olhem, chegamos quando a criança deixar”.

5 – Os dias duram uma eternidade… e há falta de conforto. Começo já pelo segundo item. A falta de conforto, e falo apenas por mim. O meu quarto na casa dos meus pais servia e sobrava quando os visitava ainda solteiro, encolheu quando apareceu a M. e tornou-se minúsculo agora que sou pai – já tinha feito este desabafo aqui  Quanto aos dias durante uma eternidade tem a ver com o facto da curiosidade que suscita um recém-nascido. A Bebecas que não está habituada a grande movimento – o máximo tem sido casa-hospital-casa; casa-restaurantes-casa – teve uma vida social muito ativa durante a semana passada. Entre passeios, idas a centros de saúdes e visitas a (e de) familiares e amigos, os dias começavam por volta das 10h00 e acabavam já depois da meia-noite. Houve um dos dias que a Bebecas adormeceu mal chegou a cama sem serem precisas grandes preparações. Foi chegar, deitar, tapar, e a meio do serviço os olhos já estavam cerrados.

6 – Não há carro que aguente tanto… mimo (ou teimosia, vá). Antes de rumarmos novamente para Sul, eu e a M. voltámos a passar novamente pela casa dos nossos pais. Antes da passagem, avisámos calmamente e de maneira a que nos entendessem bem: “olhem, não se preocupem em fazer muita comida para levar para baixo porque o carro já vai cheio, e não cabe muito mais“. Mais. Dissemos claramente que não queríamos comida cozinhada, nem sopa já feita porque com o calor podia ficar estragada. Conclusão: levámos com dois sacos de comida já feitinha, e não com um, mas sim dois tupperwares com sopa. E pronto ainda levámos com sacos que vieram todos juntos no banco ao lado do condutor (eu) e que ocupava o espaço de um senhor de 200 kg, a porta da bagageira teve ser atada com um cordel, e a M. vinha num espaço onde cabia a Olivia Palito.

Depois do carro todo esvaziado, o espetáculo era (um pouco mais do que) este:

Estão aqui dois terços das coisas que vieram
Estão aqui dois terços das coisas que vieram

“Tu falas é de barriga cheia”, dirão algum de vocês. Agora que já tudo passou, eu também digo o mesmo. Tem tudo dado um jeito do caraças. Mas experimentem lá a tentares arranjar arrumação para o carro enquanto uma bebé está a chorar, e a fazer uma viagem em que a Bebecas ia quase isolada da mãe.

Entretanto, a pergunta que se impõe: estará na altura de pedir um monovolume ao Pai Natal? 😀


ohomemdecaxemira
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