Dias de um pai em casa: maratonista e à beira da surdez

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regressei ao trabalho há algum tempo, e, por isso,  a dinâmica cá em casa durante a semana resume-se a muito pouco. Há tempo para jantar, de tratar da higiene da Bebecas, e de a deitar para o primeiro sono. Mas aos fins-de-semana e feriados, meus amigos e minhas amigas, mais parece que ando a treinar para uma prova de maratona qualquer a realizar-se em breve, e a candidatar-me seriamente a que nos próximos tempos seja eu um dos próximos clientes da MiniSom. Há uma grande probabilidade de ter de colocar um aparelho auditivo dado o desgaste que a Bebecas tem dado aos meus dois tímpanos.

Alguns dos meus dias (não todos, livra!) têm sido  passados a ouvir o choro da Bebecas, que vai em crescendo ao longo do dia. Há dias que não tenho mesmo sorte nenhuma. Quando ela sente que chega o meu turno de tomar conta dela (é assim que funciona cá em casa, quando ela está mais agitada, que é quase sempre) é quando ela parece puxar pelas goelas e chorar mais convictamente. Alguns dias ela deixa-me conseguir que a acalme, há outros que nem que a vaca tussa. Chora, berra, e só descansa quando está no colo da mãe. Será na alturas em que eu já estou perto do nervos em franja. Os bebés sentem tudo.

Mas o maior desafio surge quando a Bebecas fica com a mãe. Dá-se a combinaçaõ de passar largos momentos a ser chamado em várias ocasiões pela M., e a ouvir o choro intensivo da Bebecas. Quando tenho sorte as duas situações acontecem isoladamente. Mas o mais frequente é acontecerem os dois  cenários ao mesmo tempo.

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Então a coisa dá-se mais ou menos assim,

Bebecas: Muá, muá, muá…

M. – Olha, anda cá ver uma coisa…

Bebecas – Muá, muá

Levanto-me do sítio onde estou e lá vou eu até ao quarto.

Eu – Ah, é giro. [Era uma cena que estava numa rede social qualquer]

Bebecas – Muá, muá, muá

M. – O quê? Não ouvi…

Bebecas – Muá, muá, muá

Eu – É G-I-R-O! Já ouviste?

M. – Sim!

Volto para o sítio onde estou. Passados 2 minutos.

Bebecas – Muá, muá, muá; M. – Olha… [Estão as duas a falar uma por cima da outra]

Eu – O que éééééé?

Bebecas – Cof, cof. [Engasga-se e dá 10 segundos de silêncio, e de pânico]

M. – Traz-me água, tenho sede…

Vou eu à cozinha, vou ao sítio onde está a M., volto à cozinha por o copo, e volto para o meu lugar. Dois minutos.

M. – Olha..

Lá vou eu outra vez.

Eu – Siiiiiim…

Bebecas – Muá, muá, muá

M. – Podes chegar-me o comando, ali?

Eu. – [Em pensamento, claro: Mas é claro minha querida esposa? Estou aqui para fazer o máximo de quilómetros entre o sitio onde estejas e o sítio para onde queres que eu vá fazer alguma coisa]

E a Bebecas continuava – Muá, muá, muááááá.

Tarefa terminada. Volto para o meu sítio.

E podia continuar com os mais variados exemplos. Mas sempre sem perder a pose, como estivesse a adorar todo este movimento.

Ao final do dia só nesta brincadeira do vai e volta a fazer os vários os pedidos da M. terei dado o dobro dos passos que são aconselhados fazer [8000], e feito vários agachamentos para tonificar o abdómen. Eu sei que no fundo tudo isto é porque a M. quer é que eu fique impecável para o verão.


ohomemdecaxemira

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