Matámos a fome de conquistas com grandes vitórias.

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Que barrigada foi o dia 13 de maio de 2017. Deu para todos. Os que só gostam de religião viram o Papa Francisco, os loucos da bola e pelo Benfica (eu, eu, olhem aqui eu!) festejaram pela primeira vez um Tetracampeonato, e os fãs da Eurovisão celebraram um triunfo inédito para Portugal, com uma música e uma interpretação de Salvador Sobral que esteve longe de ser consensual entre os tugas (eu estou incluindo nos tugas que não gostam).

A melhor capa de jornal que descreveu tudo isto na perfeição foi a do Público. É uma capa icónica, para guardar na gaveta das recordações para toda a vida.

Publico 14 maio

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Vou guardar esta capa para mostrar à minha filha, a Bebecas – 2017 foi para mim um ano fantástico, podia acabar já amanhã -, o que aconteceu em 2017, poucos meses depois dela nascer. Aliás, o que ela viveu e sentiu de perto, mas que não guarda recordações. Infelizmente. Ela até passou mesmo ao lado do autocarro Tetra do Benfica, um feito histórico.  Mas vou-lhe dizer que isto nem sempre foi assim.

O Benfica esteve dez anos sem ganhar um campeonato, e depois num passado recente tivemos um mini jejum de três anos. Mas depois, e mesmo perdendo aquele que uma vez se auto intitulou de cérebro, ninguém nos parou, e festejámos a conquista de quatro campeonatos seguidos como se não houvesse amanhã no Marquês, que este ano a PSP não nos deixou reservar, mas já não havia volta a dar. O Marquês já é nosso! E para mim começa hoje o caminho rumo ao 37, rumo ao Penta. É que se não fosse aquele golo do Kelvin que nos tirou o título em 2013 nos últimos minutos era mesmo isso que a nação benfiquista estaria a comemorar agora.

Já a Eurovisão chegou a ser encarada como anedota. Basta lembrar que uma das vezes escolhemos os Homens da Luta (uma dupla de humoristas que, entretanto, já desapareceu) para nos representar. Este ano apareceu um Salvador. Não foi uma figura consensual, mas foi aquele que emocionou todos os portugueses com a sua vitória. Não é por agora ele ter ganho que vou ser o seu maior fã. Nem maior, nem menor. Não sou fã. Não sou apreciador do seu estilo, como já escrevi. Admito que possa ter sido um pouco duro e parvo com ele, mas foi o que eu achei.

“Mais do que o gosto pessoal, é o orgulho nacional que mais importa. Ainda bem que a ida do Salvador à Eurovisão não dependeu do meu gosto”

Mas não gostar dele não significa querer o seu insucesso e a sua desgraça. Nunca desejei que ele perdesse a final da Eurovisão. Era Portugal que estava em jogo. Por isso, todo o apoio era necessário. Depois ele fez acontecer uma coisa que não via há muito tempo. Estive num jantar de grupo de amigos a ver a Eurovisão, e a sofrer com a pontuação que era dada a Portugal. Nunca tinha feito isto na vida.

Mais do que o gosto pessoal, é o orgulho nacional que mais importa. Ainda bem que a ida do Salvador à Eurovisão não dependeu do meu gosto, nem da vontade dos portugueses. É preciso lembrar, como podem ler aqui, que por vontade popular quem iria à Ucrânia seria os Nova Glória. Foi o Salvador, e neste momento todos nós, portugueses, estamos a transbordar de orgulho, e acreditar que afinal este povo consegue chegar mais longe do que todos imaginámos.

Mas um orgulho sem exageros. Durante a altura da votação, e numa altura em que Portugal já liderava destacadíssimo as pontuações, José Carlos Malato, o apresentador da RTP, passou a achar tudo espectacular. O Salvador colocava um pau na boca, e o Malato dizia: “espetacular”. Era tudo espectacular. Enfim…

Tudo isto até pode não fazer subir o PIB português, nem baixar a dívida, nem tão pouco criar mais postos trabalhos, e fazer subir salários, mas faz-nos bem a auto estima e ao orgulho, e a partir daqui tudo é possível acontecer.

Durante muito tempo tive apenas as conquistas de Cristiano Ronaldo para me sentir orgulhosamente português. Mas as coisas estão a mudar. E a realidade mostra-me cada vez mais isso. Portugal deixou de ser só Cristiano Ronaldo. Ronaldo. Passámos a ser Portugal, Campeão da Europa de futebol (2016); Portugal, vencedor da Eurovisão’2017. E passámos a estar no mapa de outros povos. Somos Lisboa, a cidade mais cool da Europa, e Porto o melhor destino Europeu de 2017.

Matámos a fome de conquistas com grandes vitórias. Viva o Benfica! Viva o Salvador! Viva Portugal!


ohomemdecaxemira

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