Pedrógão Grande: A (pouca) vergonha na comunicação social

Se a comunicação social quer ser respeitada, tem de se dar ao respeito. E isso não tem acontecido, de todo. Em cada tragédia ou calamidade há sempre um apontamento de mau profissionalismo nos órgãos de comunicação social. Há um aproveitamento sanguinário da comunicação social em redor da tragédia. Sempre assim foi…

Neste momento, as críticas estão todas apontadas para o facto de Judite de Sousa ter feito um direto ao lado do cadáver na tragédia de Pedrógão Grande. As maiores críticas vêm mesmo dos seus companheiros de profissão. E quem os ouvir até dá para pensar que são todos uns anjinhos.

(Quase) Todos os profissionais se tornaram mórbidos e abutres, e não têm problemeas de consciência em escarafunchar o sofrimento alheio. Nas audiências ganha quem for mais além, e entramos na época do vale tudo. Só que não vale tudo.

Judite fez direto, em Pedrógão Grande, ao pé do cadáver

Judite de Sousa fez direto, em Pedrógão Grande, ao pé do cadáver

E para Judite de Sousa não pode valer mesmo tudo. Não se pode querer o melhor dos dois mundos. Quando o seu filho morreu, a jornalista pediu respeito aos orgãos de comunicação social pelo seu sofrimento. Queria privacidade. Tudo muito certo, e tinha toda a razão. Lucrar com o sofrimento alheio é condenável. Agora, não podia era ter feito o que fez em Pedrógão. E também não podia ter respondido da forma arrogante que respondeu – “no comments” – quando foi questionada sobra as críticas que tem sido alvo desde ontem nas redes sociais. O respeito não se pede, merece-se! E a Judite, agora, não merece.

Entretanto, parece-me também que a comunicação social anda confundida no seu papel, e os jornalistas almejam na verdade serem bloguers para poderem fazere textos com piada,e com considerações que lhes apeteçam. É exemplo disso mesmo o jornalista Pedro Raínho, do Observador – podem enviar para aqui um e-mail a mostrarem o vosso desagrado, se quiserem.

Andre Villas-boas Pedrogão

Andre Villas-boas doou 100 mil euros a Pedrógão Grande

 

Noticiou ele que André Villas-Boas, que está atualmente na China como treinador do Shangai SIPG, ia doar 100 mil euros, mas que podia ser muito mais. Isto porque este valor correspondia a “apenas dez por cento” do seu salário mensal – o técnico aufere 18 milhões de euros brutos por ano.

Foi um momento muito infeliz para o jornal diário digital que tem conquistado credibilidade a pulso. Credibilidade essa que se perde pressa com artigos destes, mesmo que depois se edite o texto para emendar a mão.

A intenção do jornalista até podia ser o melhor. Poderia quer dizer que Pedrógão Grande mereceria muito mais do que isto. Mas o tom foi errado. Primeiro: o contributo de André Villas-Boas é, para já, o maior que se conhece para esta causa de uma figura pública. E segundo, e o mais importante: a solidariedade não se mede. Faz-se e pronto. Já agora qual a percentagem do ordenado que este jornalista transferiu para a Conta Solidária Caixa Geral de Depósitos – PT50 0035 00010 100 000 330 42 –   para ajudar as vítimas do inferno de Pedrógão grande?

Eu não doei 10 por cento do ordenado, mas fiz o que podia. Contribui para esta causa. É menos um pacote de fraldas que a minha filha tem direito.

Aqui está o comprovativo:

A minha contribuição para as vítimas de Pedrógão

A minha contribuição para as vítimas de Pedrógão

Agora, quero ver se o senhor jornalista também é capaz de doar alguma coisa. Nem que seja um euro. Se todos os fizermos, esta calamidade ficará um pouco menos amarga.

“Eu não doei 10 por cento do ordenado, mas fiz o que podia. Contribui para esta causa. É menos um pacote de fraldas que a minha filha tem direito.”

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